Reportagem

Trabalho remoto não voltou nem foi embora: virou outra coisa

O modelo híbrido real não é o dos manuais — é bagunçado, pessoal e variável.

Declarações sobre “o fim do remoto” ou “o retorno ao escritório” ignoram o que de fato aconteceu: o trabalho remoto não foi para lugar nenhum, mas também não voltou ao modelo de 2020. Virou outra coisa.

Tiago Reis conversou com 14 profissionais de diferentes setores. O padrão: cada um resolveu de um jeito. Ninguém segue mais uma regra comum.

Há quem vá dois dias por semana ao escritório. Há quem vá um dia por mês, para reuniões específicas. Há quem nunca vá, e está feliz. A variação é a regra.

O que mudou para valer: a relação com o deslocamento. Em 2019, deslocamento era condição. Em 2026, deslocamento é decisão. E cada decisão precisa de justificativa.

Empresas que impuseram regra rígida — “todo mundo na terça e quinta” — relatam mais atrito do que as que deixaram a decisão por equipe. Regra universal, no híbrido, gera descontentamento.

Para quem trabalha, a lição é simples: o escritório virou ferramenta, não destino. Você vai lá quando ele serve; fica em casa quando não.

Tiago Reis
Tiago Reis

escreve sobre tecnologia e trabalho desde 2015. Mantém o wiluna desde 2022.

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